Em busca de ‘dinossauros’, pai e filho viajam 3,6 mil km de fusca de Santa Catarina ao Ceará

“O sonho dele é tocar em um fóssil e ele conseguiu”, destaca o pai. A dupla saiu de Joinville no dia 13 de julho e chegou ao Cariri na sexta-feira, dia 20.

Matéria por  Lucas Falconery e Thatiany Nascimento
22 de Julho de 2023 - 08:00
capa da noticia

Quando iniciou um trabalho escolar, em Joinville, em Santa Catarina, sobre os dinossauros que viveram há milhões de anos na Região do Cariri, no Ceará, o adolescente Marcelo Júnior, 15 anos, não imaginava o quanto a tarefa renderia. Ao se deparar com a produção do estudo, o pai do adolescente, o médico Marcelo Ferreira Gonçalves, 54 anos, propôs: conhecer os fósseis reais no Sul do Ceará. No dia 13 de julho, a viagem teve início e, na sexta-feira (20), o Cariri recebeu pai e filho, após 3,6 mil km percorridos no fusca da família.

Por coincidência, foi próximo ao dia em que o fóssil do dinossauro Ubirajara jubatus, recentemente repatriado pelo Brasil, após ter sido levado ilegalmente da Região do Cariri, em 1995, para fora do país, chegou ao Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens, na cidade de Santana do Cariri, e entrou em exposição. 

A preparação do pai e do filho incluiu a produção de uma réplica de isopor de pterossauro - réptil que habitou a terra há milhões de anos e viveu no Cariri - que é colocado sobre o fusca como uma identificação da missão. 

O pai relata que viu o filho fazer o trabalho escolar no qual o tema escolhido pelo adolescente foi os dinossauros da Bacia do Araripe e, ao entrar no quarto: “perguntei o que ele estava fazendo: por que nós não vamos ver isso de perto e vamos no nosso fusca? O segundo passo foi convencer a esposa a autorizar”, conta. 

Foto: Patrícia Silva

O fusca, há 21 anos, é o “carro da família” e foi o transporte escolhido para concretizar o objetivo do adolescente, cujo contato com os fósseis era restrito a imagens em livros e na internet. “O sonho dele é tocar em um fóssil e ele conseguiu. Isso para ele foi muito importante”, enfatiza o pai. 

“Foi a primeira vez que tive contato com fósseis verdadeiros. Os sítios paleontológicos têm bastante coisas. Foi incrível. Eu quero ser paleontólogo e agora que vejo que tem a profissão, eu tenho mais vontade".
Marcelo Ferreira Gonçalves Júnior
Estudante

A visita aos fósseis ocorreu no Geopark Araripe, na sede do Crato. “O guia do Geopark está levando a gente a todos os sítios paleontológicos”, completa o pai. 

O Geopark Araripe é um tesouro natural localizado em seis municípios da Região do Cariri: Barbalha, Crato, Juazeiro do Norte, Missão Velha, Nova Olinda e Santana do Cariri. A dupla fica no Cariri até segunda-feira (24), quando retorna a Joinville.

Foto: Arquivo pessoal

“Eu sempre gostei de dinossauros. Eu não sei exatamente quando começou isso. Mas sei que um dia meu pai e minha mãe me levaram para uma loja de brinquedos e eu podia decidir o que eu queria pegar, aí eu fiquei com aquele brinquedo, o dinossauro, e meus pais disseram que eu ficava andando com ele”.
Marcelo Ferreira Gonçalves Júnior
Estudante

Foto: Arquivo pessoal

Achados do percurso

O adolescente Marcelo Júnior destaca que a viagem de carro foi muito melhor pois “a gente vê mais coisas, vê a mudança de paisagem, visita mais lugares do que só simplesmente voar e pousar”. O destaque tanto para o pai como para o filho foi a parada em Porto Seguro, na Bahia, quando mergulharam para ver corais e visitaram uma tribo indígena. 

Ele acrescenta que como legado da viagem, além das descobertas relativas especificamente aos fósseis e também a natureza, de modo geral, levará também o aumento da conexão com o pai. “É uma coisa bem profunda de pai e filho. Uma coisa marcante”, relata.  

Foto: Arquivo pessoal

A intenção do pai era justamente essa, ressalta o médico: “Quando ele (filho) fizer 21 anos o carro também vai ser dele. Ter uma memória em relação ao carro. Na minha infância, meu pai teve fusca e era o carro da família. Isso agora está sendo muito bom porque cria uma parceria, uma amizade maior ainda. O legal é que ele começa a fazer mais confidências e tem muita brincadeira”. 

De acordo com ele, o início de uma Pós-Graduação em Psiquiatria o fez perceber que “muitos adoecimentos mentais são oriundos das relações familiares”. 

“Eu queria investir na relação de pai e filho. Ele queria ver os dinossauros. É uma viagem de conhecimento, uma viagem de pai e filho num carro de família e estamos construindo nossa história. O objetivo é fazer uma ligação afetiva com o carro e aproximar a relação. Às vezes, tu tem um filho, passa o fim de semana em casa, mas ele está na sala e você no quarto”.
Marcelo Ferreira Gonçalves
Médico

 

 

 

 



Você atingiu o limite de matérias gratuitas desse mês, adquira uma assinatura digital para desbloquear esta notícia e mais do melhor jornalismo local

Já é assinante? Entre com sua conta
Logo

Tenha acesso ilimitado ao maior portal de notícias do Nordeste

DN FREE

Crie uma conta gratuita e desbloqueie o conteúdo completo.
Gratuito
Acesse mais conteúdos de forma gratuita
Fique conectado às principais notícias e assuntos que movimentam o Nordeste
Explore conteúdos com credibilidade e mantenha-se sempre bem informado

DN MENSAL

Acesso ilimitado a todo conteúdo digital.
R$ 1200 /mês

Tudo do plano gratuito, e:

App Diário do Nordeste
Diário do Nordeste: Assinatura Digital
Diário do Nordeste: Assinatura Física

DN ANUAL

60 dias gratuitos. Acesso ilimitado a todo conteúdo digital.
R$ 12000 /ano

Tudo do plano gratuito, e:

Diário do Nordeste: Assinatura Digital

Teste Cartão Rede

Teste Cartão
R$ 1000 /mês

Tudo do plano gratuito, e:

Teste Limitação

Teste-teste
R$ 990 /mês

Tudo do plano gratuito, e:

Diário do Nordeste: Assinatura Digital

Precisa de Ajuda?

Entre em contato com a nossa central de atendimento: