Conheça a história do primeiro teatro do Ceará que já foi hospital e passou 70 anos fechado

Teatro da Ribeira dos Icós só viria a ser inaugurado 145 anos após sua construção

Escrito por André Costa andre.costa@svm.com.br
30 de Agosto de 2022 - 06:52 (Atualizado às 06:56)
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Legenda: O Teatro da Ribeira dos Icós foi construído em 1860, a pedido do médico francês Dr. Pedro Thebérge, em estilo neoclássico
Foto: Wandenberg Belem
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O ápice de qualquer obra é sua conclusão e, por conseguinte, sua inauguração. É um ato simbólico que marca a concretização de um - as vezes, longo - período de construção. Cinemas, casas de espetáculos e teatros não fogem à regra. Mas, as vezes a história reserva pontos peculiares. É o caso do primeiro teatro do Ceará, construído há 162 anos.

Erguido em 1860, no centro de Icó, cidade da região Centro-Sul cearense, sua inauguração só viria a ocorrer, de forma oficial, quase um século e meio depois. Antes, porém, o local passou a ter inúmeras utilidades, dentre elas, serviu como espécie de um hospital, para acolher vítimas da cólera.

As 207 poltronas instaladas no Teatro da Ribeira dos Icós passaram mais de um século sem receber quaisquer espectadores com a finalidade de assistir espetáculos teatrais. As cortinas pretas que teriam a missão se abrirem anunciando as peças da época, se mantiveram fechadas até que, em 2005, o então Ministro da Cultura Gilberto Gil, inaugurou o local. 

O coordenador da Secretaria da Cultura de Icó, Claudio Pereira da Silva, diz que "o ato marcou a inauguração do Teatro, embora não tenha havia convidados, nem tido sido aberto ao público". Além de ter sido o primeiro construído no Ceará, o teatro foi o quinto do Brasil.

O equipamento é assinado pelo arquiteto Henrique Théberge, filho do médico e historiador francês Pedro Théberge, que financiou a obra, que contém dois pavimentos, sendo os camarotes instalados na parte superior.

Mas, o que teria ocorrido para que o Teatro da Ribeira - erguido em estilo neoclássico, presando pela simplicidade e equilíbrio das formas, como ocorria na Grécia antiga - não ter sido inaugurado no ato da conclusão das obras? "Por a mais absoluta vaidade", pontua o pesquisador e memorialista icoense, Altino Afonso Medeiros, que se debruça sobre a história do Município há diversas décadas. 

O Teatro carrega características do neoclassicismo com harmonia em sua geometria e destaque para cores claras e simples
Legenda: O Teatro carrega características do neoclassicismo com harmonia em sua geometria e destaque para cores claras e simples
Foto: Wandenberg Belém

No dia marcado para ocorrer a inauguração, em 1860, seria realizado um baile. Mas ninguém compareceu. "As roupas das famílias burguesas da época vinham da Europa. Havia uma grande vaidade entre elas, cada uma queria se apresentar para a sociedade de forma mais imponente", revela Altino.

Naquela noite, como era de costume ocorrer em outros atos importantes, "a elite de Icó ordenava que seus empregados, os escravos, fossem ao Teatro para ver quem já havia chegado e qual roupa estavam vestindo. As horas se passaram e ninguém compareceu ao baile programado e a inauguração não ocorreu", detalha o memorialista.

Memorialista Altino Afonso Medeiros explica que o Teatro não foi inaugurado em 1860
Legenda: Memorialista Altino Afonso Medeiros explica que o Teatro não foi inaugurado em 1860 "por vaidade da alta sociedade da época"
Foto: Wandenberg Belem

Hospital para atender vítimas da cólera 

Após este evento frustrado, o local passou a ser utilizado para outras finalidades. No século XIX, uma grave epidemia de cólera vitimou um número expressivo de cearenses - estima-se que quase 12 mil. Em Icó, a doença matou quase um terço da população da época, conforme o pesquisador Altino Afonso.

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