Com frente poluída, escola de Fortaleza apela em cartazes para população parar de jogar lixo na área

Quem passa pela frente da unidade, na Av. Sargento Hermínio, vê a sujeira e a manifestação dos estudantes. Ponto de lixo já existe há 8 anos, segundo a escola.

Matéria por  Thatiany Nascimento
14 de Maio de 2022 - 08:00
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Resto de construção, pedaço de móveis, podas de plantas, lixo doméstico e até corpos de animais mortos. O cenário que já é inadequado em terrenos baldios, é exatamente o vivenciado por alunos e profissionais ao se aproximarem da Escola Estadual de Ensino Médio e Tempo Integral Monsenhor Dourado, no bairro Padre Andrade, em Fortaleza. 

Conforme a diretora, Soraide Paz, há ao menos 8 anos, a unidade sofre com pontos de lixo no entorno do prédio. Em ação recente, estudantes, em campanha, apelam à vizinhança para barrar o descarte irregular.   

O amontoado de lixo se renova e, com o passar dos anos, explica a diretora, a solução do poder público foi mandar diariamente uma caçamba da coleta especial recolher os resíduos. Mas, em 2022, na primeira semana de maio, o serviço feito na frente da escola, segundo ela, parou e isso aumentou o problema que já é crônico.

O Diário do Nordeste esteve no local em duas ocasiões no decorrer da semana. Na sexta-feira (13), o lixo foi retirado, mas transeuntes reiteram que a situação é antiga e persistente.  

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Alunos estão matriculados na Escola Monsenhor Dourado que é de tempo integral

Nesse período, em um projeto da disciplina de Biologia, estudantes fixaram cartazes no gradil na frente da escola apelando à comunidade para que a poluição seja barrada. 

“Se você não joga lixo no chão da sua casa, por que vai jogar em frente a escola?”, “Não jogue lixo na nossa escola”, “Estamos cansados de nadar no seu lixo” e “Se liga, não jogue lixo aqui” são algumas frases que chamam atenção de quem passa pela frente da unidade, na Av. Sargento Hermínio. 

Cartaz na frente da Escola Monsenhor Dourado, em Fortaleza
Legenda: Cartaz na frente da Escola Monsenhor Dourado, em Fortaleza
Foto: Fabiane de Paula

Efeitos nocivos 

Apesar do apelo, o descarte irregular persiste. A diretora da escola, Soraide Paz, explica “estamos numa luta danada. Esse problema é bem antigo. Antes a comunidade colocava na calçada da rua lateral, na Banvarth Bezerra. Aí não conseguia passar com a calçada estreita e cheia de lixo e tinha que passar pela rua. Tentamos junto à Regional para colocar plantas. E só recentemente foi feito. Acabou o problema na lateral e aumentou na frente”. 

Soraide conta que trabalha na escola há quase 9 anos e quando chegou lá, o ponto de lixo já existia. Em imagens do Google Maps é possível ver resíduos descartados na área frontal da escola desde junho de 2014.

O lixo tanto se acumula bem próximo ao portão de entrada, como perto da esquina da Avenida Sargento Hermínio com a Rua Banvarth Bezerra. 

  “No contato com a Prefeitura, eles falam que tem um cadastro, que é um ponto de lixo, e todos os dias uma caçamba passa para recolher. Mas não é só recolher, é fazer alguma coisa para não deixar colocar mais”. 
Soraide Paz
Diretora da escola

Os prejuízos devido ao ponto de lixo vão de mau cheiro ao acúmulo de ratos, conta a diretora. Outra ação para tentar reduzir o descarte irregular, é o plantio de mudas de árvores na frente da escola. “A gente não sabia nem se podia plantar lá, mas plantamos quase como uma ação de desespero”.

Em uma ação de um projeto da disciplina de Biologia, estudantes fixaram cartazes no gradil na frente da escola.
Legenda: Em uma ação de um projeto da disciplina de Biologia, estudantes fixaram cartazes no gradil na frente da escola.
Foto: Fabiane de Paula

A Secretaria Estadual da Educação foi questionada sobre o problema e o diálogo com a gestão municipal. Em nota, a pasta respondeu apenas que “a Superintendência das Escolas Estaduais de Fortaleza (Sefor) 1, responsável pelas escolas da região, e a unidade de ensino adotaram as providências cabíveis junto aos órgãos competentes”.

Em nota, a Prefeitura de Fortaleza informou ter feito o recolhimento do lixo na manhã da sexta-feira (13). "Na região, a coleta domiciliar é realizada sempre às segundas, quartas e sextas-feiras, no período da noite. A orientação é que os resíduos sejam ensacados e deixados na calçada, em frente a cada residência e somente nos dias de coleta", diz o texto.

A Prefeitura destaca ainda que solicitações de limpeza na região podem ser feitas pela população por meio da Central 156, por telefone e aplicativo, ou ainda na sede da Regional 3, localizada na Avenida Jovita Feitosa, 1264, no bairro Parquelândia.

"A Prefeitura alerta para a importância da parceria entre poder público e população, já que há locais específicos para o acondicionamento adequado do lixo e que a gestão municipal realiza a coleta domiciliar de maneira sistemática, três vezes por semana em todos os bairros da capital", ressalta a nota.

De janeiro a abril deste ano, a gestão municipal afirma que coletou cerca de 120 mil toneladas de lixo descartado de modo irregular na Capital.

Ecopontos recebem resíduos

Desde dezembro de 2015, Fortaleza passou a contar com a estruturação de Ecopontos que recolhem materiais recicláveis e também resíduos como entulhos, podas de árvores e móveis.

Conforme balanço divulgado pela Prefeitura em fevereiro de 2022, foram recolhidos nos 90 Ecopontos, em 2021, 155 mil toneladas de resíduos.

Os Ecopontos funcionam de segunda-feira a sábado, de 8h às 12h e de 14h às 17h, e garantem aos usuários cadastrados descontos na conta de energia e créditos para serem usados em alguns estabelecimentos comerciais cadastrados em cada região.

Confira a lista de Ecopontos em Fortaleza com os endereços.

 



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