Alunos do IFCE criam museu de realidade virtual, larvicida e moldes 3D; veja projetos

Projetos foram apresentados em feira nacional que ocorreu em Brasília.

Escrito por Nícolas Paulino nicolas.paulino@svm.com.br
16 de Outubro de 2025 - 07:00
capa da noticia
Legenda: Estudantes e professores do IFCE apresentaram projetos que aliam tecnologia, sustentabilidade e ensino pedagógico.
Foto: Nícolas Paulino
ceara patrocinado

O potencial da educação pública em propor soluções para problemas reais foi destaque na 5ª edição da Semana Nacional da Educação Profissional e Tecnológica, que ocorreu na última semana, em Brasília. O Instituto Federal do Ceará (IFCE) apresentou 12 projetos de diversos campi na feira nacional.

Parte da rede federal de educação, a instituição possui unidades espalhadas em 35 cidades do Estado e é referência no ensino, pesquisa, extensão e inovação. No projeto de expansão do Governo Federal, deve receber mais seis campi nos próximos anos: dois em Fortaleza e mais quatro nas cidades de Cascavel, Mauriti, Campos Sales e Lavras da Mangabeira

A caravana cearense apresentou projetos com foco em tecnologia e ferramentas pedagógicas para o ensino na rede pública, com o objetivo de facilitar o trabalho de professores e a fixação de conteúdos pelos alunos.

Conheça os projetos:

Materiais didáticos para o ensino de embriologia com impressão 3D - Campus Acaraú

Orientador: Luiz Gonzaga do Nascimento Neto
Aluna: Ana Cristina da Rocha/Licenciatura em Ciências Biológicas

O projeto desenvolve modelos tridimensionais que ajudam a compreender conceitos abstratos da Biologia, como células, especialmente em escolas sem laboratórios. As peças em 3D permitem que estudantes toquem e visualizem as estruturas, tornando o aprendizado mais dinâmico e acessível. A proposta é distribuir os kits a escolas públicas e disponibilizá-los a baixo custo.

Objetivo do projeto é dinamizar o ensino de Biologia a partir do toque em estruturas antes só vistas nos livros.
Legenda: Objetivo do projeto é dinamizar o ensino de Biologia a partir do toque em estruturas antes só vistas nos livros.
Foto: Nícolas Paulino

Larvicida de óleos essenciais de eucalipto no controle do mosquito Aedes Aegypti - Campus Acopiara

Orientador: Alzeir Machado
Aluno: Gizele França/Biologia

A pesquisa avalia o potencial larvicida do óleo essencial de eucalipto contra o mosquito transmissor da dengue. Em laboratório, as maiores concentrações tiveram 100% de eficácia sobre larvas mais resistentes. A equipe agora busca ampliar os experimentos para aplicações em criadouros. O produto natural, biodegradável e de baixo custo oferece uma alternativa sustentável a inseticidas sintéticos.

Substância larvicida apresentou eficácia em laboratório na eliminação de larvas resistentes do mosquito.
Legenda: Substância larvicida apresentou eficácia em laboratório na eliminação de larvas resistentes do mosquito.
Foto: Nícolas Paulino

Sertão Silvestre: conhecer para preservar - Campus Boa Viagem

Orientador: Rafael Teixeira
Aluno: José Henrique Pereira/Zootecnia

Com pegada de conservação ambiental, o projeto faz o monitoramento da fauna e flora no Sertão Central cearense. Com o uso de câmeras de trilha e binóculos com visão noturna, já foram registradas 38 espécies de animais silvestres. Além do mapeamento, os alunos promovem ações educativas em escolas, levando crânios, moldes de pegadas e gincanas para aproximar os jovens do tema da preservação.

Projeto Sertão Silvestre busca ensinar sobre a fauna local para manter a preservação das espécies.
Legenda: Projeto Sertão Silvestre busca ensinar sobre a fauna local para manter a preservação das espécies.
Foto: Nícolas Paulino

Detecção automática de quedas a partir de imagens térmicas - Campus Fortaleza

Orientador: Elias Silva Jr.
Aluno: Isaque Oliveira/Engenharia da Computação

Com foco na segurança de idosos, o projeto usa sensores térmicos e inteligência artificial para identificar quedas dentro de casa, mas mantendo a privacidade dos monitorados. O sistema reconhece alterações de movimento a partir da temperatura corporal, enviando alertas automáticos para contatos de confiança em caso de acidente. O protótipo, de baixo custo e com 90% de acurácia, pode ser aplicado em residências, abrigos e hospitais.

Estudante Isaque Oliveira mostra sistema de alerta de quedas a partir de leituras térmicas de pessoas monitoradas.
Legenda: Estudante Isaque Oliveira mostra sistema de alerta de quedas a partir de leituras térmicas de pessoas monitoradas.
Foto: Nícolas Paulino

Experiências imersivas em realidade virtual - Campus Fortaleza

Orientador: Moacyr Regys
Aluno: Iuri Prata/Engenharia de Telecomunicações

O projeto cria laboratórios e museus virtuais que proporcionam experiências educativas em Realidade Virtual. A startup Virtuex, formada no campus, já desenvolveu ambientes de Química e História, nos quais o usuário pode explorar um museu egípcio ou realizar experimentos com diferentes substâncias. Os óculos de RV e controles manuais tornam o aprendizado mais interativo.

Com óculos e controles, é possível simular visita a um museu egípcio ou a um laboratório de Química.
Legenda: Com óculos e controles, é possível simular visita a um museu egípcio ou a um laboratório de Química.
Foto: Nícolas Paulino

Reaproveitamento de pneus para produção de asfalto sustentável - Campus Limoeiro do Norte

Orientador: Sergiano Araujo
Aluno: Cláudio José de Lima Filho/Técnico em Química

A iniciativa propõe transformar pneus usados em pó de borracha para compor uma mistura asfáltica três vezes mais durável do que o material comum. Além de reduzir o descarte irregular, o novo asfalto tem menor risco de aquaplanagem e facilita a drenagem da água das chuvas, evitando alagamentos em vias públicas.

Asfalto ecológico é mais durável e facilita o escoamento da água da chuva.
Legenda: Asfalto ecológico é mais durável e facilita o escoamento da água da chuva.
Foto: Nícolas Paulino

Placas de identificação em braille para ambientes educacionais - Campus Pecém

Orientador: Jean Carlos Alves Fernandes
Aluna: Verônica Queiroz/Técnica em Química

Placas em braille com impressão 3D e materiais de baixo custo, mais resistentes e adaptadas, facilitam a orientação de pessoas com deficiência visual em espaços educacionais. A proposta, desenvolvida pelo Núcleo de Apoio a Pessoas com Necessidades Específicas (Napne), pretende ser ampliada para outras instituições.

Placas em braille buscam facilitar navegação de estudantes em ambientes de ensino.
Legenda: Placas em braille buscam facilitar navegação de estudantes em ambientes de ensino.
Foto: Nícolas Paulino

Protótipos por impressão 3D e aplicativo para análise de alimentos - Campus Sobral

Orientadora: Mirla Dayanny
Aluno: Vitória Emídio/Técnica em Alimentos

Combinando tecnologia e segurança alimentar, o projeto desenvolve suportes biodegradáveis e um aplicativo que analisa a qualidade de pescados a partir de fotos. A plataforma usa inteligência artificial para comparar imagens e indicar se o alimento está próprio para o consumo. Além de reduzir riscos de intoxicação, a ferramenta pode ser útil para restaurantes e consumidores na avaliação rápida da aparência e frescor dos produtos.

Suporte para imagens e aplicativo trabalham juntos para detectar frescor de pescados.
Legenda: Suporte para imagens e aplicativo trabalham juntos para detectar frescor de pescados.
Foto: Nícolas Paulino

Elevador de cargas didático para cursos de Engenharia - Campus Sobral

Orientador: Aglailson Olivindo
Aluno: Aline Sena/Mecatrônica Industrial

Criado por alunos de Mecatrônica, o protótipo de elevador didático foi desenvolvido com impressão 3D e controladores conectados por Wi-Fi. O equipamento simula o funcionamento real de sistemas automatizados, com botões de emergência e sensores. A proposta estimula a aplicação de conceitos teóricos de forma interdisciplinar e colaborativa.

Protótipo de elevador foi construído para mostrar aplicações práticas da mecatrônica.
Legenda: Protótipo de elevador foi construído para mostrar aplicações práticas da mecatrônica.
Foto: Nícolas Paulino

Laboratório de Ensino de Matemática Itinerante - Campus Sobral

Aluna: Rayra Paiva/Licenciatura em Matemática
Orientadora: Ana Cláudia Mendonça

O projeto leva oficinas e jogos educativos de Matemática a escolas públicas municipais que não dispõem de laboratório próprio. Ludo, dominó e UNO adaptados ajudam a reforçar as quatro operações e tornar as aulas mais participativas. A iniciativa, uma parceria entre o IFCE e a Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA), já passou por cinco cidades.

Jogos adaptados ao ensino de Matemática devem facilitar aprendizagem de alunos de escolas públicas.
Legenda: Jogos adaptados ao ensino de Matemática devem facilitar aprendizagem de alunos de escolas públicas.
Foto: Nícolas Paulino

Laboratório Maker para o ensino de matemática - Campus Sobral

Aluno: Eugênio Soeiro Júnior/Mecatrônica Industrial
Orientadores: Ana Cláudia Mendonça e Rafael Mendonça

A proposta incentiva o uso de impressoras 3D para criar instrumentos que auxiliem o ensino da Matemática em sala de aula. Com peças que representam conceitos geométricos e astronômicos, como o astrolábio, o projeto aproxima a teoria da prática. A equipe pretende montar um catálogo aberto para que outras escolas possam replicar os materiais.

Laboratório maker busca a construção de modelos para aproximar teoria e prática no ensino de Matemática.
Legenda: Laboratório maker busca a construção de modelos para aproximar teoria e prática no ensino de Matemática.
Foto: Nícolas Paulino

Óleos essenciais como bioconservantes em biscoitos - Campus Sobral

Aluna: Larissa Rodrigues/Técnica em Alimentos
Orientadora: Daniele Teixeira

A pesquisa avalia a ação conservante de óleos essenciais de capim-santo e casca de laranja aplicados em biscoitos amanteigados. Em testes sensoriais com 125 provadores, os produtos apresentaram boa aceitação em sabor e aroma, além de manter a conservação por até 28 dias. Com propriedades antioxidantes e antimicrobianas, os óleos mostram potencial para substituir conservantes sintéticos e agregar valor a produtos alimentícios.

Biscoitos pincelados com os óleos essenciais tiveram até 28 dias sem desenvolver bolor.
Legenda: Biscoitos pincelados com os óleos essenciais tiveram até 28 dias sem desenvolver bolor.
Foto: Nícolas Paulino

A feira nacional é uma realização do Ministério da Educação (MEC) por meio da Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica (Setec), com foco no intercâmbio de ações de IFs de todo o país.

*O repórter viajou a Brasília a convite do MEC.

coisa aqui

Este conteúdo é útil para você?

Newsletter

Escolha suas newsletters favoritas e mantenha-se informado

Taboola Body Article

8 9

10