Açudes da Grande Fortaleza estão 62% cheios, mas região pode precisar de água do Castanhão em 2024

Quadra chuvosa do próximo ano será determinante para abastecimento da capital e da Região Metropolitana

Matéria por  Lucas Falconery e Theyse Viana
20 de Novembro de 2023 - 06:00
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A boa quadra chuvosa do Ceará neste ano contribuiu para abastecer os açudes do Estado, mas a possibilidade de uma estação mais escassa em 2024 preocupa. Com a incidência do El Niño, Fortaleza e Região Metropolitana (RMF) podem precisar receber água do Castanhão.

Até essa quinta-feira (16), os 23 açudes que integram a Bacia Metropolitana estão preenchidos com 62% da capacidade total. Isso corresponde a uma reserva de quase 900 milhões de metros cúbicos (m³) – ou cerca de 359 mil piscinas olímpicas.

Os dados são da Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh), atualizados até essa quinta-feira (16).

Já os 4 principais reservatórios que abastecem a RMF – Pacoti, Pacajus, Riachão e Gavião –, somam hoje 465 milhões de metros cúbicos (m³). O nível está 17% menor do que no mesmo período de 2022, quando os açudes tinham, juntos, 562 milhões de m³.

Rodrigo Vasconcelos, gerente regional das Bacias Metropolitanas da Cogerh, avalia que “a situação (da RMF) não é crítica, mas demanda atenção, principalmente na perspectiva da quadra chuvosa do próximo ano, com a instalação do El Niño”.

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municípios dependem diretamente do sistema de abastecimento de água da Região Metropolitana, segundo a Cogerh: Fortaleza, Pacajus, Horizonte, Chorozinho, Eusébio, Maracanaú e Caucaia. 

De acordo com a Organização Meteorológica Mundial (OMM), o El Niño está ativo e deve durar até abril de 2024, quando pode atingir o pico. Os modelos dos meteorologistas já apontavam o retorno do fenômeno, que causa o aquecimento das águas oceânicas e prejudica a formação de nuvens de chuva no Ceará.

Nos últimos 3 anos, o Ceará teve condições favoráveis às chuvas devido à presença da La Ninã, fenômeno oposto ao anterior. 

Num cenário em que o Estado tenha chuvas abaixo da média no próximo ano, então, Rodrigo analisa a eventual necessidade do uso do Açude Castanhão para abastecer a população da Grande Fortaleza. 

Essa transferência de água do maior açude cearense para abastecimento da capital e das cidades vizinhas não acontece desde 2019.

“Caso uma quadra chuvosa abaixo da média se efetive, provavelmente nós teremos transferência hídrica do Castanhão para os reservatórios que abastecem a Região Metropolitana”, adianta Rodrigo.

Menos chuvas

O Ceará está no período do ano de escassez de chuvas e de temperaturas máximas elevadas devido à falta de nebulosidade, o que contribui para a evaporação nos reservatórios. 

Até outubro, os 157 reservatórios monitorados pela Cogerh já haviam perdido o equivalente a 70% do volume total do Orós, o segundo maior do Estado. Rodrigo destaca, porém, que as perdas de água não devem ficar fora do esperado.

“A Cogerh realiza esse acompanhamento do comportamento dos reservatórios durante o período de estiagem, junto com os comitês de bacias e as comissões gestoras. Há simulações que consideram o baixo índice de pluviosidade”, detalha.



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